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fevereiro 18, 2007

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Carnaval 2007

Grandes desfiles custam três milhões

‘Flor’ desfila em dois corsos e Carolina inspirou muitos deles. São as rainhas do Carnaval 2007. Uma festa cara – o boneco de Sócrates, por exemplo, fica em três mil euros e um carro alegórico em 15 mil – mas importante para as regiões. O tempo é que não ajuda. Hoje, segunda e terça vai estar de chuva. Sol só amanhã.

O artista respira de alívio. Faltam apenas alguns cabelos brancos e um pouco de cor nos lábios para que a caricatura do primeiro-ministro fique completa. “Este já está”, comenta, contorcendo o pescoço em busca de um traço menos vincado ou de uma linha mais desmaiada de um rosto difícil de transpor para o reino da sátira e da fantasia.

“Isto é trabalho para um mês inteiro. Como foi feito por duas pessoas conseguiu fazer-se em 15 dias. Mas não foi fácil. A cara do Sócrates é muito normal, não tem nenhuma característica, nenhuma particularidade relevante. Já o ano passado sentimos o mesmo problema com o Zé Mourinho”, confessa Bruno Melo, responsável da empresa que produz as caricaturas que desfilam no Carnaval de Torres Vedras.

O cheiro da tinta é intenso no ateliê da bonecada, onde duas dezenas de homens dão largas à imaginação e criatividade, num trabalho paciente e meticuloso que a história guardará em museu próprio. Às portas de mais um desfile dão-se os últimos retoques em expressões que dobram o riso do folião.

“Ao contrário de Sócrates, os rostos de Soares, com aquelas bochechinhas, e do próprio Cavaco são mais caricaturáveis. Mas uma das figuras que me deu mais gozo retratar foi o ex-Presidente da República Jorge Sampaio sobretudo por causa dos olhos”, acrescenta Bruno Melo.

Três mil euros é quanto custa uma caricatura como a de Sócrates. O Carnaval de Torres Vedras vai ter cinco, às quais se juntam mais de trinta bonecos.

Os carros alegóricos demoram o dobro do tempo a construir (um mês, no mínimo) e ficam cinco vezes mais caros. “O preço médio anda entre os 15 e os 20 mil euros, mas pode atingir mais. No caso de Torres, o carro dos reis fica em 35 mil euros”, revelou Bruno Melo.

Não estranha, pois, que o auto-intitulado Carnaval mais português de Portugal tenha o segundo maior orçamento dos corsos que amanhã e terça-feira saem à rua um pouco por todo o País: 400 mil euros. A verba de Torres só é batida pelo Carnaval de Ovar, onde a organização tem prevista uma factura da ordem dos 600 mil euros.

Contas feitas, nos 15 maiores desfiles vão ser gastos muito perto de três milhões de euros. Se a este valor somarmos as verbas gastas nos carnavais mais pequenos, pode afirmar-se que a folia nacional poderá chegar aos quatro milhões de euros.

“É uma forma de promoção turística e uma fonte de rendimento importante para a economia da região. Repare: o Carnaval de Torres, em si, é deficitário, mas o impacto na economia local é imenso, atendendo ao número de pessoas que nele participam, cerca de 300 mil”, explica Sérgio Lopes, da Promotores, empresa municipal responsável pela iniciativa. Segundo as estimativas, o impacto financeiro do Carnaval sem samba’ traduziu-se numa verba superior a 2,5 milhões de euros.

CARROS NOVOS

Uma das razões que elevam os custos prende-se com o facto de pouco ou nenhum material ser aproveitado de um ano para o outro. Nem a esferovite é reutilizável, uma vez que é revestida com fibra de vidro.

“Só a carcaça do veículo sobre o qual assenta a estrutura do carro alegórico é que se aproveita”, diz Hélder Luz, empoleirado no ‘Comando Global’, dirigido por ‘Bush’, o ‘polícia do mundo’, com um chapéu da altura da cabeça. É dos veículos mais imponentes que desfilarão, amanhã e terça, pelas ruas de Torres Vedras.

“Antigamente os carros alegóricos eram puxados normalmente por tractores. Agora aproveita-se um veículo e é sobre ele que se monta a estrutura”, explicou, por seu turno, Filipe Marques, entregue à coqueluche do desfile: o carro dos reis, de onde brotará uma cascata de água.

Filipe, que há uma década anda a “trabalhar para o boneco”, acredita na eficácia da sua obra-prima, mas “há sempre aquele nervoso miudinho, aquele receio de que alguma coisa encrave e lá se vai a cascata”.

Há ainda a possibilidade de o veículo sofrer algum acto de vandalismo. Se a água escorre do trono para a base das estrutura, há quem prefira outras fontes líquidas para molhar a garganta e estrague a festa das máscaras, papelinhos e confettis.

“Os carros chegam sempre ao fim com marcas. Há sempre a tentação de por a mão, para ver do que é feito, e gente que se diverte a estragar”, lamenta o ‘fazedor’ de carros.

O MAIS QUENTE

Se o Carnaval de Torres é conhecido pela sátira e irreverência, o de Loulé, luta todos os anos pelo título de mais quente. Um campeonato disputado por outros carnavais, como Mealhada, Sesimbra, Ovar e Estarreja, por exemplo, onde desfilam várias escolas de samba.

Mas Loulé apresenta uma vantagem: o tempo no Algarve normalmente ajuda à festa, convidado a tirar a roupa e a desinibir os corpos.

‘Do dourado do apito à festa do Carnaval’ foi o tema escolhido para este ano, inspirado no livro de Carolina Salgado. No cartaz de promoção surge um ‘bicho esquisito’.

“Representa a simbiose entre um dragão, uma águia e um leão, no seu habitat natural, o relvado de um estádio. O nosso estádio vai ser a avenida José Costa Mealha”, conta Júlio Guerreio, o pai do Carnaval de Loulé nos últimos 33 anos.

Os bonecos foram inspirados em rostos conhecidos: Santana Lopes, que surge disfarçado de leão; Cavaco Silva, que circula no ‘Circo de Feras’; Sócrates, que leva um ‘cartão vermelho’ do País; e, claro, a ‘FloriKarolina’, uma caricatura de Carolina Salgado que surge num baloiço com as roupas de ‘Floribella’.

A ex-companheira de Pinto da Costa não serviu apenas de inspiração ao Carnaval de Loulé. A sua figura paira em diversos corsos, sendo mesmo a rainha de dois: Ovar (Dona Cartolina – A escritora) e Torres Vedras (Eu-Karolinda Só-Ópito).o

EFEITO FLOR

Se Carolina Salgado é uma das rainhas do Carnaval português 2007, ‘Floribella’ não lhe fica atrás. Mas aqui a história é diferente. A sua imagem também figurará em vários desfiles, mas Luciana Abreu participará, em carne e osso, em dois deles: Sines (amanhã) e Estarreja (terça). No caso de Sines, além de Luciana a organização convidou mais dois actores que com ela contracenam: Diogo Rebelo (‘Tomás’) e Catarina Cardoso (‘Rosa’).

Um elenco de luxo que marca os cinquenta anos deste Carnaval e que conta ainda com outras presenças conhecidas, como o regresso de Simara – dezoito anos depois de ter sido a primeira convidada internacional deste corso. A artista, que se confessa “uma boa foliona”, irá usar uma fantasia avaliada em mais de 15 000 euros. Foi confeccionada à mão e concebida especialmente para este Carnaval.

É, de resto, a única figura não portuguesa a desfilar no sambodromo nacional a par do já habitue Óscar Magrini, na Mealhada.

Ao contrário do que sucedeu em anos anteriores, em que se verificou uma presença assídua de actores e actrizes brasileiras, este ano o reinado foi entregue à prata da casa. Sinal revelador, por um lado, da importância e domínio da produção nacional no espectro televisivo – quer no que diz respeito às novelas quer noutro tipo de programação. Sónia Araújo e Carlos Malato, que desfilam em Buarcos, e Merche Romero, em Vila Real de Santo António, são disso exemplo. Por outro lado, é o reflexo de uma certa contenção de custos, sobretudo nos casos em que a fatia de leão ou mesmo a totalidade é suportada pelas câmaras.

Os orçamentos mantiveram-se idênticos aos de 2006 – o que significa um decréscimo real, tendo em conta a inflação – verificando-se, contudo, em algumas situações, uma redução efectiva de custos. No Barreiro, por exemplo, este ano não há Carnaval, em consequência da política de contenção financeira seguida pela autarquia e ao pouco entusiasmo do movimento associativo.

Mesmo em tempo de crise, há tradições que não se perdem. É o caso da ‘Dança dos Cus’, como é conhecido o Carnaval de Cabanas de Viriato (Carregal do Sal), cuja origem remonta a 1865. Alinhados em duas filas e ao som de uma valsa, os foliões batem com os seus traseiros nos dos vizinhos. A dança tem lugar segunda e terça, às 15h00. Mais a Norte, em Lanzarim (Lamego), voltam à rua os caretos (terça, pelas 14h30), com os trajes tradicionais e máscaras feitas em madeira de amieiro.

NOSTALGIA

À boa maneira portuguesa, ainda há muito trabalho pela frente a 24 horas do arranque dos desfiles, mas tudo estará pronto à hora do corso. “É tudo a contra-relógio, mas no final dá-nos grande prazer ver as nossas criações a desfilar”, diz Júlia Guerreiro, costureira, que há vinte anos se dedica a imaginar os trapos para o Carnaval de Loulé.

Num outro espaço, Palhó, artista plástico, entrega-se a ‘FloriKarolina’. “Esta é a melhor altura do ano. O trabalho é intenso, mas dá muito gozo. Nem damos pelos dias a passar. Quando está tudo feito é um alívio, mas também se sente uma grande nostalgia quando fechamos a porta.”

SANTARÉM E GUARDA EM ESTREIA

O Carnaval vai desfilar, pela primeira vez, em Santarém e na Guarda. Os desfiles estão marcados para hoje e terça-feira, na cidade ribatejana, e para a noite se segunda na capital da Beira Alta.

Tozé Martinho e Delfina Cruz foram os reis escolhidos para a estreia de Santarém em desfiles carnavalescos. Viajarão num dos vinte carros alegóricos do corso, que contará com a participação de 600 foliões. Todas as 17 freguesias do concelho estarão representadas, contando, para tal, com o apoio da autarquia – 400 euros para cada, o que totaliza 9800 euros. A este montante acrescem outros custos, não revelados, inerentes à organização dos desfiles.

Na Guarda assinala-se o Enterro do Entrudo, com um espectáculo que envolve 300 figurantes, co-produzido pelo projecto Todos à Roda e autarquia. Envolve elementos de 16 colectividades do concelho. O ‘enterro’ começa, pelas 21h30 (de segunda-feira) no largo do Município e termina no largo da Sé Catedral, onde o Entrudo – um boneco com cinco metros de altura – será queimado. A produção envolve custos da ordem dos trinta mil euros.

CORSOS ANIMAM FOLIÕES DE TODO O PAÍS

CALDAS

As Caldas da Rainha desfilam amanhã e terça, com mil pessoas e 20 carros. José Figueiras é o rei. Custa 50 mil euros.

BATALHA

Desfile, amanhã, com 900 foliões e 35 carros. São esperadas 12 mil pessoas. O corso percorrerá as principais ruas.

FAMALICÃO

Famalicão celebra o Carnaval segunda à noite. Há animação musical (banda Lecidia), desfile e concurso de máscaras.

PENICHE

Meio milhar de foliões e 14 carros desfilam amanhã e terça. Custa 20 mil euros. São esperadas 40 mil pessoas.

GRANDES CORSOS - DESFILES AMANHÃ E TERÇA-FEIRA

MEALHADA

Figurantes: 2000

Carros: 8

Reis: actor Ricardo Pereira e Cristiana Roque (Miss Bairrada 2006)

Desfile: Sambódromo Luís Marques

Preço: 6 e a 9 euros

Afluência: 30 mil

Orçamento: 200 mil euros

LOURES

LOURES

Figurantes: 1000

Carros: 13

Reis: Casal Saloio

Desfile: Centro e ruas

da República, Augusto Marques Raso e

Antero de Quental

Preço: 5 euros

Afluência: 80 mil

Orçamento: 250 a 300 mil euros

SINES

Figurantes: 1500

Carros: 21

Reis: Manuel Nunes

e Sara Elias; ‘Floribella’ desfila domingo

Desfile: Av. Vasco

da Gama

Preço: 5 euros

Afluência: 40 mil

Orçamento: 200 mil euros

LOULÉ

Figurantes: 600

Carros: 17

Reis: Não há; Rita Pereira ( ‘Estrelinha’ em ‘Doce Fugitiva’) desfila 2.ª

Desfile: Av. José da Costa Mealha

Preço: 2 euros

Afluência: 100 mil

Orçamento: 400 mil euros

OVAR

Figurantes: 2000

Carros: 25

Reis: D. Manuel XV – O Inesperado e Dona Cartolina – A Escritora

Desfile: Av. Sá Carneiro e Rua de Timor

Preço: Peão 6 e a 13 e (domingo); peão 6 e a 10 e (terça)

Afluência: 80 mil

Orçamento: 600 mil euros

ESTARREJA

Figurantes: 1000

Carros: 16

Reis: Fernando Rocha e 'Floribella' (Terça-feira)

Desfile: Praça Francisco Barbosa

Preço: 4 e e 5 euros

Afluência: 25 mil

Orçamento: 250 mil euros

ELVAS

Figurantes: 1.500

Carros: 13

Reis: Hugo Meira e Paula Cristina

Desfile: ruas do centro histórico

Preço: gratuito

Afluência: 15 mil

Orçamento: 100 mil euros

PATAIAS

Figurantes: 800

Carros: 12

Reis: actor José Carlos Pereira e Sílvia Vitorino

Desfile: Centro da vila

Preço: 3 euros

Afluência: 10 mil

Orçamento: 80 mil euros

PADERNE/ALBUFEIRA

Figurantes: 200

Carros: 10

Reis: Jorge Miguel Rocha e Ana Margarida

Desfile: ruas Miguel Bombarda e 5 de Outubro

Preço: 2 euros

Afluência: 10 mil

Orçamento: 10 mil euros

NAZARÉ

Figurantes: 1.300

Carros: 25

Reis: Ana Maria Mendes e José Artur Piló

Desfile: Avenida Marginal e ruas do centro da vila

Preço: gratuito

Afluência: 150 mil

Orçamento: 50 mil euros

TORRES VEDRAS

Figurantes: 3000

Carros: 8

Reis: D. Socratinto Xfolozé e Dona Eu-karolinda Só-Ópito

Desfile: Av. 5 de Outubro e ruas Santos Bernardes e Henriques Nogueira

Preço: 5 euros

Afluência: 300 mil

Orçamento: 400 mil euros

V.R. SANTO ANTÓNIO

Figurantes: 500

Carros: 10

Rainha: Merche Romero

Desfile: domingo, Av. República e Praça Marquês de Pombal (VRSA); Terça (Monte Gordo)

Preço: Gratuito

Afluência: 40 mil

Orçamento: 160 mil euros

BUARCOS/FIG. DA FOZ

Figurantes: 700

Carros: 7

Reis: José Carlos Malato e Sónia Araújo

Desfile: Av. Marginal, entre Buarcos e Figueira

Preço: 3,5 euros

Afluência: 40 mil

Orçamento: 150 mil euros

SESIMBRA

Figurantes: 250

Carros: 3 e 2 de som

Reis: Não tem

Desfile: Ao longo da marginal

Preço: 5 euros (bancada)

Afluência: 80 e 90 mil

Orçamento: 80 mil euros

SETÚBAL

Figurantes: 2000

Carros: 12

Rainha: Ângela Santos; Sara Prata, a 'Becas' dos 'Morangos', é convidada

Desfile: Av. Luísa Tody

Preço: 2,5 e; 1,5 euros para maiores de 65

Afluência: 35 mil

Orçamento: 30 mil euros

Notas: os desfiles começam às 14h30/15h00; Sines e Loulé também desfilam segunda; a afluência diz respeito aos espectadores previstos no conjunto dos dois dias de desfile; os dados são das organizações.

DOMINGO COM SOL E TERÇA DE CHUVA

Não é o melhor tempo para a folia. Nestas miniférias de Carnaval, só amanhã não chove. Segundo o Instituto de Meteorologia, hoje o céu estará nublado e há a possibilidade de ocorrência de aguaceiros, mas amanhã, primeiro dos dois dias de desfile, o Sol vai brilhar em todo o País, ainda que o vento possa soprar por vezes moderado.

Será contudo sol de pouca dura, já que, segunda-feira, as nuvens regressam e com elas a chuva, ainda que fraca. Começa no Litoral Norte e Centro, acabando por se estender a todo o território. Quanto a terça-feira, dia de Carnaval, marcado pela repetição dos corsos de amanhã, a Meteorologia aponta para céu muito nublado e chuva de Norte a Sul. Quanto às temperaturas, as mínimas descem e as máximas mantêm-se.

CHUVA ESTRAGA BRINCADEIRAS

A alegria das crianças, a magia da cor e a imaginação das fantasias ditaram momentos únicos de beleza de norte a sul do País. Mas a chuva atrapalhou em muito o Carnaval infantil. Em Lisboa caiu granizo durante um minuto.

Foi “tudo por água abaixo”. A frase é de Rui Penas, da Junta de Freguesia de Sines, e expressa o desalento generalizado em dia de Carnaval infantil. Ontem, de norte a sul do País, o mau tempo pregou uma partida aos foliões mais pequenos e foram cancelados vários corsos.

Na avenida General Humberto Delgado, em Sines, mais de mil crianças ficaram impedidas de desfilar. Também em Torres Vedras foi cancelado o Carnaval infantil mais português de Portugal para tristeza de cerca de seis mil crianças. Mais sorte tiveram os meninos de Portimão que, graças ao Sol, puderam fazer brilhar as suas fantasias na rua.

Em Faro, a alegria de cerca de dois mil miúdos revelou-se uma forte dor de cabeça para os automobilistas, com o trânsito condicionado junto à praça da Liberdade. Também em Loulé três mil crianças saíram à rua. E em Fafe o apelo das máscaras juntou 2200.

Em Beja e Évora o vento soprou forte e o frio fazia bater o dente mas os mais pequenos festejaram o Carnaval na rua. Centenas de crianças dos jardins-de-infância, creches e escolas de Évora participaram no desfile entre o Teatro Garcia Resende e a praça do Giraldo. Diferente foi o Carnaval infantil em Samora Correia, Vila Franca de Xira e na Lourinhã. O granizo cancelou os desfiles.

"NO BRASIL É MUITO DIFERENTE"

Óscar Magrini, actor, diz que o nosso Carnaval é uma “misturada” de samba, crítica política e tradição. Não tem nada a ver com o brasileiro, embora este também dependa muito de região para região

Correio da Manhã – É possível fazer algum tipo de comparação entre o Carnaval brasileiro e o português?

Óscar Magrini – A tradição portuguesa sempre foi a dos Entrudos, que nada tem a ver com o Carnaval brasileiro. No Brasil também há muitos carnavais diferentes. As pessoas estão mais familiarizadas com o desfile das escolas de samba, no Rio de Janeiro, que envolve três a quatro mil figurantes por cada escola. Mas há também o Carnaval da Bahia, que é mais ligado na música, no axé, e há também o de Pernambuco, que não tem nada a ver com os outros.

– Copiamos o brasileiro?

– Acho que o único que pode realmente afirmar-se como luso-brasileiro é o da Mealhada. Pelo 29.º ano consecutivo a Mealhada vai sair com o desfile mais parecido com o carioca, isto apesar da dimensão não ter paralelo. Há escolas de samba organizadas, há bateria, há samba enredo, há fatos e adereços. E tudo isto é possível porque existe uma forte ligação entre as escolas cariocas e as da Mealhada, que são apadrinhadas e recebem apoio. É essa singularidade que lhes dá fama.

– Como vê os restantes carnavais portugueses?

– Conheço o que se faz pelo que vejo na televisão. O que me parece é que fazem uma misturada entre o samba, a crítica política e algumas coisas mais tradicionais do Carnaval português.

– Como surge a sua ligação à Mealhada?

– Em 1999 fui escolhido para ser o rei. Foi aí que conheci os responsáveis do Carnaval. Mais tarde, em 2001, vim fazer duas novelas e os responsáveis propuseram que eu fosse o padrinho.

– Qual é a sua função?

– O meu trabalho começa em Outubro ou Novembro de cada ano. Vejo quem são os actores que estão a dar – que entram em novelas com boa audiência em Portugal e apresento 4 ou 5 nomes para eles escolherem. Depois encarrego-me do acompanhamento do rei, levo-o às entrevistas na TV e promovo o Carnaval.

– Este ano quebrou-se a tradição: o rei vem da novela, mas é português.

– O Ricardo Pereira fez três novelas com muito sucesso e os responsáveis do Carnaval acharam bem ser ele. Mas estas escolhas estão sempre condicionadas. As preferências vão pa-ra um actor que es-tá a gravar, mas é preciso ver se está disponível, se pode vir a Portugal, se quer vir...

– A sua tarefa também passa por uma participação activa nos desfiles?

– Há 5 anos que não faço Carnaval no Brasil, daí a tentação de estar por dentro das coisas ser grande. O meu trabalho no local é conduzir, ver pormenores, puxar pelo pessoal. Ajudar a afastar o frio e pôr os participantes no clima certo.

PERFIL

Óscar Magrini, 45 anos, é natural de Santos (S. Paulo). Começou a sua vida profissional como professor de Educação Física, mas o fascínio pelo teatro levou-o à carreira de actor. A sua estreia na televisão acontece em 1992 em ‘Deus nos acuda’. Entre as participações que lhe granjearam fama no Brasil e em Portugal encontram-se as telenovelas ‘Rei do Gado’, ‘O Amor está no ar’, ‘Dona Flor e os seus dois maridos’, ‘Torre de Babel’, ‘Esperança’, ‘Cablocla’, ‘Malhação’, ‘Sinhá Moça’ e ‘Pé na Jaca’.

ESCOLAS DO RIO INVESTEM 23 MILHÕES DE EUROS

Os números falam por si e dizem bem da dimensão do Carnaval brasileiro: as 13 escolas de samba que vão desfilar no sambódromo do Rio investiram trinta milhões de dólares (mais de 23 milhões de euros). A este valor acrescem os custos inerentes à organização e segurança. Cada escola exibe-se com 4500 elementos.

O corso decorre durante dois dias (de domingo para segunda e de segunda para terça). As bancadas do sambódromo estarão, como habitualmente, sobrelotadas. Têm capacidade para 60 mil espectadores, embora sejam muitos mais os que, à volta, seguem o desfile.

Paulo João Santos e Carla Pacheco, Correio da Manhã

Publicado por blogfloribella às fevereiro 18, 2007 01:45 PM

Comentários

kurtu bue a luciana i tdx ux actorex adru a novela...gxtava k a banda voltaxe ax caldas...adruvux...kiss

Publicado por: marcia às fevereiro 20, 2007 03:47 PM

Maestro MARCELO PORTO e banda
---> PIMENTA COM SALSA <---

Apresentando toda a magia do CARNAVAL do BRASIL,
em, som e ritmos vibrantes.

A banda é composta por musicos, cantoras e bailarinas de alto nivel,
executando o melhor das musicas carnavalescas fazendo delirar o
público presente.

PIMENTA com SALSA band-show, é formada por:

5 Metais
Tecladista
Baterista
Contrabaixista
Guitarrista
Cantor
2 Cantoras
Grupo de Bailarinas
Grupo de percurssionistas

ANÉXO, FOTOS

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Marcelo Porto

0XX 11 4412-7344 9539-9718
Anexar o DDI do Brasil

E-Mail= vocalshow@bol.com.br

Publicado por: Maestro Marcelo Porto às setembro 27, 2007 12:41 PM

Joana freire azevedo, ganda puta ca da terra!!

Publicado por: filipe às março 24, 2008 12:36 AM

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